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O fã como curador de informações: mídia espontânea

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Hoje, pensei em trazer para reflexão a oportunidade que o fã, enquanto curador de informações, pode trazer a circulação de mídia espontânea. Muito já se discute sobre mediação e mediadores, mas, atualmente, a ação de curadoria, na Comunicação, tem ocupado lugar quanto ao posicionamento de organização e distribuição das informações.

O termo curador, com usos e origens também no Direito e nas Artes,  de forma mais geral, poder ser designado como aquele que tem algo – de terceiros –  em seus cuidados, para sua administração.

Assim, voltando para as estratégias de apropriação dos fãs sobre seus produtos televisivos favoritos, no momento que este nicho organiza e compartilha conteúdos produzidos pela TV, com os demais ,de mesmos interesses, estaria realizando uma ação de curadoria.  Em verdade, fazer parte de uma comunidade, através de um sentimento de camaradagem, é bem específico dos fãs que ao dividirem com o grupo downloads de episódios, frases ditas por personagens e fotos da trama televisiva, por ex., organizam informações e as distribuem agenciando influências dentre os outros membros.

Ou seja, para além de observamos o fã enquanto criador – tal como nas fanfics, fanfilms etc – vale percebê-lo como agente de curadoria, promovendo um grau de administração de produtos midiáticos e contribuindo, assim, para retroalimentar e, inclusive, dar uma maior longevidade a sobrevivência das tramas televisivas.

Fica então, minha  reflexão para o cenário televisivo, pois com o atual volume de informação disposto pelos fluxos da internet, o papel do curador social, sobretudo na figura do fã, vêm à tona de forma a oportunizar uma organização e direcionamento dos conteúdos constituindo uma cadeia de ampla motivação e alcance.  Pois, replicando partes do produto de TV, o fã acaba por gerar uma demanda, embora específica, de propagação de informações e exploração de detalhes que contribuem por semear entre potenciais consumidores um destaque reconhecido às obras, além de envolver-se com os movimentos de distribuição e exibição da mídia.

Nesta semana, vi essa matéria sobre curadoria de conteúdo e achei interessante: http://www.midiassociais.net/2011/11/a-importancia-da-curadoria-de-conteudo/

Até mais!

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O “assistir” TV…

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Foi-se a época em que tudo o que fazíamos diante da TV era estar sentado no sofá da sala assistindo-a. Ali, só contemplando a novela ou o telejornal, pedíamos aos demais para fazerem silêncio e, no máximo, desviávamos a atenção no momento dos comerciais, era hora de comentar algo com a família, pegar uma água, ir ao banheiro. Assistir TV era o momento de não termos de pensar em nada, fazer nada, só dar um descanso para o cérebro já cheios de motivo para estar “cheio”.

Agora, já esquecemos o sofá da sala, o trocamos por elevadores, bancos de táxis, ônibus, cadeira do escritório, de praia, enfim, por uma infinidade de outros “cômodos”. O pai, a mãe, os irmãos também já não estão mais conosco no momento da novela ou do telejornal, mais fácil estar um colega do trabalho, ou a prima do interior, ou o tio que está em outro país, trocando postagens sobre o mesmo personagem. Propaganda, momento de ir ao banheiro? Para quê esperar? Podemos ir a qualquer hora, é só pausar a programação. Depois voltamos e algumas vezes suprimimos e outras tantas acompanhamos o comercial que, aliás, já havia sido visto e comentado numa fanpage. Horário nobre também já não é mais o da TV, mas o nosso. Hoje, nós também montamos a programação. Basta acessar, baixar da internet ou gravar o que desejamos para assistir quando convier. E para gravar, o próprio aparelho de TV nos dá o recurso e se, por acaso, sairmos apressado e esquecermos, ele mesmo se encarrega de fazer a gravação, baseada nas nossas últimas preferências.

Televisão já não é mais “a cores”, com controle remoto ou sem, tampouco aberta ou por assinatura, já contamos com o desenvolvimento e aplicação da “social TV”, Broadband, TV digital, TV 3D e elas nos trazem além das antigas e novas polegadas os recursos da bidirecionalidade digital, da interação social, da multiprogramação, da portabilidade, da mobilidade – muito embora alguns destes, mesmo desenvolvidos ainda não estejam totalmente aplicados no Brasil. Sei que nada disso pode ser uma grande novidade para você, mas trago o argumento para pensarmos de que como são muitos os novos recursos práticos televisivos, também deve haver uma diversidade de conteúdos a ser considerada inerentemente. Ou seja, um grande desafio aos profissionais de Televisão é pensar não tão somente os novos estímulos tecnológicos, mas em não manter repetidas e cansadas fórmulas, modelos que já não se adequam mais aos rearranjos sociais, propor mais que acessórios a programação promovendo a interação com os atuais hábitos de consumo midiáticos e considerar que para além de estruturar a informação e o entretenimento a partir de uma imersão prática, se faz necessário gerenciá-los conforme as tendências, não menos importantes, de imersão intelectual. Na dinâmica cultural atual, (felizmente ou infelizmente) o sentido do descanso, ao estar diante da TV, já não está mais na competência de silenciar o cérebro ainda mais “cheio”, mas em escoar o “excedente” interagindo com os próprios interesses.

Entendendo a PL-116 para a Televisão…

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O projeto de lei complementar : PL-116, agora, só está aguardando a sanção de nossa “presidenta” (como prefere ser chamada) Dilma.  Foram longos 4 anos de debates, mas, enfim, eis que ela (não a Dilma, a lei) está aí a nossa porta trazendo a regulamentação de produção e distribuição de conteúdos pela TV por assinatura.  As novidades são basicamente:

1-      A entrada das empresas de telecomunicação no mercado de TV por assinatura, mas apenas para distribuição do sinal e atividades complementares (de comercialização, atendimento ao assinante, faturamento, cobrança, instalação e manutenção de dispositivos, entre outras).  Ou seja, elas não podem produzir, empacotar ( criar aqueles pacotes como opção para a gente assinar) ou programar os canais (definir os horários dos programas).

2-      As empresas que controlam a distribuição (atividades de entrega, transmissão, veiculação, difusão ou provimento de pacotes ou conteúdos audiovisuais a assinantes por intermédio de meios eletrônicos quaisquer) são tidas também como responsáveis pelo cumprimento das cotas por parte de programadores e empacotadores.

3–      Nos canais de “espaço qualificado” (canais dedicados a dramaturgia, ficção – desenhos, filmes, documentários, por ex.), haverá cota semanal de três horas e meia para produção nacional no horário nobre, sendo que metade deverá ser exclusivamente de produtoras independentes brasileiras –  produtoras não podem estar ligadas nem aos canais nem às empresas que vendem os pacotes de programação.

4-      Nos pacotes ofertados, a cada três canais de “espaço qualificado”,  um deverá ser brasileiro.  Da parcela mínima de canais brasileiros de espaço qualificado, pelo menos 1/3 (um terço) deverá ser programado por programadora brasileira independente.

5-      Acaba com o limite de 49% de participação de capital estrangeiro conforme era estabelecido pela Lei do Cabo.

6-      A Ancine amplia seus poderes e passa a ser o órgão responsável por regulamentar e fiscalizar o cumprimento do sistema de cota.

7-      Aumenta a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine), que será paga pelas emissoras, teles, programadoras e produtoras.  As receitas deverão ser assim: 30% destinadas a projetos no Norte, Nordeste e Centro-oeste e, deste valor, 10% terá de financiar canais comunitários e universitários e programadoras independentes.

Achei interessante perceber a intervenção do governo, ou melhor Poder público, na produção e distribuição de conteúdos, sobretudo no fomento ao conteúdo nacional e independente em quaisquer canais, inclusive, estrangeiros. Foi bom perceber a “arrumação” que não ocorre na TV aberta com relação a definição e separação entre atividades de produção, empacotamento, programação e distribuição, mas ainda senti falta da limitação da publicidade na TV por assinatura, afinal, a gente já não paga a assinatura? Tem canais, insuportavelmente chatos, pela grandiosidade do número de propagandas.  Talvez, isso tenha ficado para uma “próxima”. Quem quiser saber mais sobre a PL-116 taí o link do pdf http://www.senado.gov.br/atividade/materia/getPDF.asp?t=94732&tp=1. A partir da página 8, estão as mudanças do conteúdo brasileiro.