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O “fenômeno” dos fãs

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Nesta semana, estive vendo um vídeo elaborado por um fã das “Aventuras de Tintin”, obra de Hergé, na internet. Trata-se de uma versão de abertura “não oficial” para o filme de mesmo nome, dirigido por Steven Spielberg. Adorei (está logo mais abaixo do post)! Continuando meu percurso hipertextual de sempre fui sendo levada a outro e mais outro vídeo amador produzidos por fãs.

Assim, meio veio a reflexão: é notório que o indivíduo que de, alguma forma, contribui para a propagação espontânea da obra – afinal, o príncipio de ser fã não é só gostar do produto mas compartilhar seus interesses com outros grupos de mesmas preferências e tendências comportamentais- , além de promover soluções junto a mesma através de um engajamento fiel de acompanhamento e participação, deve ser considerado como uma oportunidade de fidelização em tempos de fragmentação e diversidade de opções.

Hoje, a gente vê empresas, marcas e produtos buscando seguidores, criando fanpages para criação de valor através de uma maior interação emocional com seu público. Mas,só isso não basta. A pessoa que curte uma fanpage ou que segue tal marca ou produto não necessariamente promove uma discussão e engajamento que levam à promoção de consumo, tal como faz o fã. É como  na TV, o que interessa é a audiência fiel, ou seja, a que assiste a programação por mais tempo e não a casual – que assiste alguns capítulos da novela-  ou menos ainda a zapeadora. Importa mesmo os que se envolvem na programação seja via tv, site, aplicativos de celular, apresentem feedbacks e de fato estejam sempre mobilizados diante da produção.

Podemos pensar então, que faz-se necessário considerar algumas das particularidades desse segmento, promover mais iniciativas com a intenção das trocas de informações  e afetividade diante dessa parcela fiel de consumo. Por que não incentivar encontros entre fãs de telenovelas, por ex.?

Durante muitos anos, o estigma de fã foi acompanhado por uma negatividade, grupos assim eram considerados loucos que dispensam energia excessiva com nada muito útil e ainda com tendências psicóticas. Hoje, já podemos até ver uma diluição dessa percepção através de iniciativas que almejam considerar a atuação desse tipo de público, embora não de forma generalizada. Assim é que vemos alguns sites “oficiais” de TV que já voltam parte de seu discurso para os fãs – vejam HOUSE, por ex -, produções de novelas que consideram pedidos deste nicho – vejam o caso da novela Rebeldes – e algumas outras ocorrências, mas que, no Brasil ainda se dá de forma mais tímida.

Se voltarmos a pensar no exemplo dos vídeos que eu vi, muitos possuem produções até mesmo melhores do que as oficiais e tendo isso alcançado uma circulação ímpar, em tempos digitais. O próprio papel  crítico do fã que se envolve inteligentemente com a obra/produto ou qualquer que seja seu objeto de preferência, implusiona uma função de criador e curadoria social – através do compartilhamento de idéias com os demais de grupos e comunidades  –  que não se pode torná-lo descartável ou ignorado.

Assim, firmo o propósito desse post que é começar a fazer você  pensar em estratégias de circulação de conteúdos e fomentar o consumo pela afetividade atentando para esse segmento pouco explorado mas que, embora muito específico, sabemos existir no Brasil assim como em outros países- onde se encontram com maior visibilidade -, e trazem consigo a oportunização de um consumo compartilhado, participativo, crítico e envolvido em termos emocionais.

Algumas produções de fãs, em torno de suas obras preferidas:

Tintin:

Jogo “Call of Duty”, recriando cenas dos primeiros jogos.

Série  “Walking Dead”

Abs!

Transmídias: lógica de conteúdos e propagação

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No cenário atual de múltiplas “telas”, maior autonomia e ação efetiva do público, como desenvolver conteúdos midiáticos e assegurar a propagação destes, provocando o interesse na dispersão? Podemos pensar na transmidiação. No Brasil, ainda é algo que está em desenvolvimento, como um terreno muito amplo a  ser explorado, mas já desde os anos 90 (pelo menos) –  com os estudos de Marsha Kinder – que se fala em tal, nos EUA.

Hoje, não é difícil depararmos como o termo Transmedia Storytelling” ou Narrativa Transmídia para designar novas estratégias de desenvolvimento de conteúdos baseada na exploração complementar de diversas mídias e envolvimento com o consumidor, espectador, prosumidor, público, fãs ou como queiram chamar.

Podemos dizer que para elaboração de uma estratégia transmidiática – seja em publicidade ou para quaisquer veículos de comunicação – há alguns princípios fundamentais, que são: os níveis de interação proporcionados com a recepção, a  forma lúdica de tratamento do teor narrativo do projeto e a sua pervasividade – termo originado da Informática que designa a presença de “chips” nos mais diversos ambientes da sociedade, mas que, hoje, a Comunicação também se apropria quanto a pulverização de conteúdos nas mais diversas mídias.

Ou seja, podemos pensar em dois viéses: a distribuição e o desenvolvimento de conteúdos, considerando a lógica da criação de uma experiência diferenciada ao usuário/público para favorecer o amadurecimento de uma relação afetiva com o produto. É a idéia de pensar um ritual para os meios de comunicação que vai além da produção, mas que envolve uma economia afetiva, através das possibilidades de uso. Veja aqui o exemplo de um brinquedo transmídia.

Pensando em Tv, a lógica é a do consumo de conteúdos televisivos e não mais apenas dos programas televisivos, ou seja, o espectador pode vir a experimentar um seriado ficcional ou telenovela não só no próprio dispositivo, mas a extensão de toda a história a partir do que é produzido no blog de um personagem, num game com mais detalhes de um determinado episódio, numa revista em quadrinhos que rabisca detalhes que não vão ao ar na tv pela própria dinâmica do tempo e edição, no site oficial com depoimentos dos personagens que enriquecem a trama da Tv e etc.

Então, vale observar que com essa descentralização da narrativa principal:  o conteúdo vai até aonde o espectador ou consumidor está – e não ao contrário – e ainda proporcionando um nível de participação destes que, no mais das vezes, gera um compromisso emocional, trazendo mídia espontânea sobre o teor do projeto.Veja aqui uma reflexão em cima do envolvimento do público com o seriado Lost e um exemplo de mídia espontânea criada por fãs.

O método transmidiático (veja aqui algumas definições) traz diversas histórias -e não interpretações – que apresentam um engajamento e complexificação de um conteúdo principal, numa relação de complementação.  Alguns exemplos de projetos transmidiáticos mais conhecidos: Heroes, Lost, Dawson’ Creek, Matrix, Bruxa de Blair, campanhas da Disney e Coca Cola.

Voltando a questão inicial do post, é na própria dispersão que poderemos encontrar uma maior proporção de envolvimento com o projeto de mídia, numa cadeia de conteúdos enquanto “marca”, como num processo transmidiático. Assim, vale oportunizar o alcance em larga escala, não mais através de uma cultura de massa, mas com o ideal de proporcionar experiências,vivências diversificadas para seu público.

Quer saber mais? Vale conhecer o livro  “Cultura da Convergência” de Jenkins que vem tratando desse novo cenário de desenvolvimento de conteúdos para a mídia.

Vídeo sobre transmídia:

Dê uma olhada também nessa seção de slides que pertencem a um grupo de pesquisa da ESPM:

http://www.slideshare.net/rdarnaut1/transmdia-inovadoresespm-parte-2-eratransmidia

http://www.slideshare.net/rdarnaut1/transmdia-na-tv