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O fã como curador de informações: mídia espontânea

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Hoje, pensei em trazer para reflexão a oportunidade que o fã, enquanto curador de informações, pode trazer a circulação de mídia espontânea. Muito já se discute sobre mediação e mediadores, mas, atualmente, a ação de curadoria, na Comunicação, tem ocupado lugar quanto ao posicionamento de organização e distribuição das informações.

O termo curador, com usos e origens também no Direito e nas Artes,  de forma mais geral, poder ser designado como aquele que tem algo – de terceiros –  em seus cuidados, para sua administração.

Assim, voltando para as estratégias de apropriação dos fãs sobre seus produtos televisivos favoritos, no momento que este nicho organiza e compartilha conteúdos produzidos pela TV, com os demais ,de mesmos interesses, estaria realizando uma ação de curadoria.  Em verdade, fazer parte de uma comunidade, através de um sentimento de camaradagem, é bem específico dos fãs que ao dividirem com o grupo downloads de episódios, frases ditas por personagens e fotos da trama televisiva, por ex., organizam informações e as distribuem agenciando influências dentre os outros membros.

Ou seja, para além de observamos o fã enquanto criador – tal como nas fanfics, fanfilms etc – vale percebê-lo como agente de curadoria, promovendo um grau de administração de produtos midiáticos e contribuindo, assim, para retroalimentar e, inclusive, dar uma maior longevidade a sobrevivência das tramas televisivas.

Fica então, minha  reflexão para o cenário televisivo, pois com o atual volume de informação disposto pelos fluxos da internet, o papel do curador social, sobretudo na figura do fã, vêm à tona de forma a oportunizar uma organização e direcionamento dos conteúdos constituindo uma cadeia de ampla motivação e alcance.  Pois, replicando partes do produto de TV, o fã acaba por gerar uma demanda, embora específica, de propagação de informações e exploração de detalhes que contribuem por semear entre potenciais consumidores um destaque reconhecido às obras, além de envolver-se com os movimentos de distribuição e exibição da mídia.

Nesta semana, vi essa matéria sobre curadoria de conteúdo e achei interessante: http://www.midiassociais.net/2011/11/a-importancia-da-curadoria-de-conteudo/

Até mais!

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O “fenômeno” dos fãs

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Nesta semana, estive vendo um vídeo elaborado por um fã das “Aventuras de Tintin”, obra de Hergé, na internet. Trata-se de uma versão de abertura “não oficial” para o filme de mesmo nome, dirigido por Steven Spielberg. Adorei (está logo mais abaixo do post)! Continuando meu percurso hipertextual de sempre fui sendo levada a outro e mais outro vídeo amador produzidos por fãs.

Assim, meio veio a reflexão: é notório que o indivíduo que de, alguma forma, contribui para a propagação espontânea da obra – afinal, o príncipio de ser fã não é só gostar do produto mas compartilhar seus interesses com outros grupos de mesmas preferências e tendências comportamentais- , além de promover soluções junto a mesma através de um engajamento fiel de acompanhamento e participação, deve ser considerado como uma oportunidade de fidelização em tempos de fragmentação e diversidade de opções.

Hoje, a gente vê empresas, marcas e produtos buscando seguidores, criando fanpages para criação de valor através de uma maior interação emocional com seu público. Mas,só isso não basta. A pessoa que curte uma fanpage ou que segue tal marca ou produto não necessariamente promove uma discussão e engajamento que levam à promoção de consumo, tal como faz o fã. É como  na TV, o que interessa é a audiência fiel, ou seja, a que assiste a programação por mais tempo e não a casual – que assiste alguns capítulos da novela-  ou menos ainda a zapeadora. Importa mesmo os que se envolvem na programação seja via tv, site, aplicativos de celular, apresentem feedbacks e de fato estejam sempre mobilizados diante da produção.

Podemos pensar então, que faz-se necessário considerar algumas das particularidades desse segmento, promover mais iniciativas com a intenção das trocas de informações  e afetividade diante dessa parcela fiel de consumo. Por que não incentivar encontros entre fãs de telenovelas, por ex.?

Durante muitos anos, o estigma de fã foi acompanhado por uma negatividade, grupos assim eram considerados loucos que dispensam energia excessiva com nada muito útil e ainda com tendências psicóticas. Hoje, já podemos até ver uma diluição dessa percepção através de iniciativas que almejam considerar a atuação desse tipo de público, embora não de forma generalizada. Assim é que vemos alguns sites “oficiais” de TV que já voltam parte de seu discurso para os fãs – vejam HOUSE, por ex -, produções de novelas que consideram pedidos deste nicho – vejam o caso da novela Rebeldes – e algumas outras ocorrências, mas que, no Brasil ainda se dá de forma mais tímida.

Se voltarmos a pensar no exemplo dos vídeos que eu vi, muitos possuem produções até mesmo melhores do que as oficiais e tendo isso alcançado uma circulação ímpar, em tempos digitais. O próprio papel  crítico do fã que se envolve inteligentemente com a obra/produto ou qualquer que seja seu objeto de preferência, implusiona uma função de criador e curadoria social – através do compartilhamento de idéias com os demais de grupos e comunidades  –  que não se pode torná-lo descartável ou ignorado.

Assim, firmo o propósito desse post que é começar a fazer você  pensar em estratégias de circulação de conteúdos e fomentar o consumo pela afetividade atentando para esse segmento pouco explorado mas que, embora muito específico, sabemos existir no Brasil assim como em outros países- onde se encontram com maior visibilidade -, e trazem consigo a oportunização de um consumo compartilhado, participativo, crítico e envolvido em termos emocionais.

Algumas produções de fãs, em torno de suas obras preferidas:

Tintin:

Jogo “Call of Duty”, recriando cenas dos primeiros jogos.

Série  “Walking Dead”

Abs!