A “nova” cultura de nichos

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Dispositivos via tecnologia digital com conteúdos mais adequados a uma seleção pessoal – computador, mp3, ipod celular, videogame, tablet, e-reader, etc- aliados a uma maior “democratização” dos meios de produção, vêm potencializando uma demanda que sempre existiu: dos nichos. Ou seja, a procura por oferta de segmentos pouco explorados. Ou, você, apesar de gostar bastante dos “Beatles” nunca se interessou por algum outro cantor, bem menos conhecido, ou quem sabe, teve a preferência por algum produto que não fosse exatamente o que lhe estava sendo apresentado no eixo comercial?

Acontece que,  mesmo por muito tempo, habituados a experenciar uma cultura de massa, ou seja, o consumo  do que estava nas paradas de sucesso ou do que era mais vendido e unicamente ofertado, nunca deixaram de existir as nossas próprias particularidades ou preferências pessoais. Não que você não gostasse dos “Beatles” – para voltar ao exemplo anterior -, mas, talvez, aquele grupo famoso, só no seu bairro, também lhe interessasse. Mas, como encontrar  CD, vinil ou K7  dele há alguns anos?  Apesar da frustração, você se confortava indo a uma loja de disco, comprando um novo “Beatles” e ainda sendo levado a conhecer um novo sucesso.

Hoje, com a   competência da esfera digital e a transposição das fronteiras econômicas, físicas e temporais, foi mais fácil vir à tona nossas preferências e ainda compartilhá-las. A mídia tradicional já atentou para a satisfação dessa diversidade e, nela, começa a traçar estratégias rearrajando seus conteúdos e ofertas – a tv a cabo tem cada vez mais canais, para diversos segmentos, para não falar das opções ‘on demand – a seu pedido. Vejam “O Astro” também, na tv aberta, uma novela que veio atender ao horário das 23h.

A pulverização midiática  em tecnologias e dos conteúdos eclodem, ou seja, é assim que, por ex.,  hoje, pode-se assistir TV praticamente em qualquer lugar, em casa pelo dispositivo de TV, na rua pelo celular ou no trabalho pelo computador. Sem contabilizar sua extensão aos ônibus, táxis, elevador e etc. Neste percurso, as suas narrativas também se ampliam aos sites, blogs, redes de relacionamento, comunidades virtuais, jogos, enquetes, fóruns, revistas, livros, filmes, ringtones e publicidade ampliando os níveis de envolvimento da audiência, com o artifício da interatividade como basilar e condição mercantil.

Ou seja, vemos emergir a teoria da “Cauda Longa” – onde a soma de consumo dos diversos pequenos segmentos – nichos – pode ser tão rentável quanto a soma total dos poucos produtos de sucesso – e com isso, vale atentar: não que a cultura de massa – se tomarmos como “massa” o ponto de vista da produção dos veículos de comunicação  –  esteja no seu fim, mas é certo que uma nova configuração do cenário midiático se faz tão importante quanto esta, a união do “grande” público ao reconhecimento de necessidades individualizadas para geração de ofertas melhor adequadas  aos  fluxos atuais de socialização, consumo e comunicação para, justamente,  na dispersão obter a possibilidade de alcançar um público em maior escala, diferentemente de uma postura “homogeneizante” de outrora. Eis a “nova” cultura de nichos.

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IBOPE publica Media Book

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O IBOPE publicou, hoje, o lançamento da 3ª edição de seu Media Book com informações sobre veículos de comunicação ( televisão aberta e por assinatura, rádio, internet, revista, jornais, além de investimento publicitário) de 13 países, tais como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico e Uruguai. Os dados foram consolidados entre janeiro e dezembro de 2010 e são super interessantes para avaliarmos o cenário de consumo midiático da América Latina.

Resumidamente, só para adiantar,  sobre TV há uma divisão de dados por emissoras e horários com seus respectivos alcances de público, Rádios AM e FM com audiências, jornais e revistas com maior penetração no país e seus respectivos targets, internet com o share por idade, nível sócioeconômico, categorias mais acessadas e muito mais, vale dar uma conferida.

Interessante ressaltar  a “força” de penetração que a televisão ainda possui em todos os países apontados, talvez, dentre outras variáveis até mesmo culturais, associada a uma maioria de classe econômica baixa (em detrimento das médias e altas), o que, mais uma vez, nos faz lembrar a importância de termos cautela com generalismos quando se trata de pensar investimentos publicitários, pesquisas e produção de conteúdo midiático, considerando apenas o encantamento com as possibilidades de consumo da internet (claro, sem desmerecer seu crescimento).

E, mais um detalhe, realmente, os “realitys shows” impressionam:  Big Brother Brasil obteve a 2ª  maior audiência do ano para a televisão brasileira, estando na frente da Copa e do Jornal Nacional, ficando atrás apenas da novela das 21h.

Mais sobre:

Ibope lança Media Book com dados de 13 países

Terceiro horário de novelas da Globo registra a maior audiência absoluta em 2010

Obs: agradeço ao colega de profissão, Breno Caldas, pela contribuição com o post do linkedin.

PL 116: sancionada lei para tv por assinatura

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Há alguns dias,  trouxe para discussão a PL 116, com um post que contém as principais mudanças que a nova lei traz à televisão por assinatura. Agora, está aí. A lei foi sancionada, hoje, pela nossa presidenta Dilma.  Daqui pra frente, com a definição de cotas de produções brasileiras, talvez possamos experenciar mudanças significativas na oferta de empregos e procura por cursos na área de Comunicação o que, juntamente com a complexificação da produção de conteúdo televisivo, delineada pelos novos fluxos de consumo influenciados pela esfera digital, deve-nos fazer pensar, ainda mais, sobre possíveis readequações operacionais de nossas funções (comunicadores), além de reformulações nas ementas dos cursos.

Mais:

Dilma sanciona lei que define novas regras para tv por assinatura

Entendendo a PL -116 para a televisao

Marco regulatório da Mídia

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Vi esta notícia (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) e achei  as considerações interessantes a cerca do marco regulatório proposto para a mídia brasileira, que vem gerando polêmicas sobre uma possível  idéia de “censura” .  Vale salientar que uma das medidas diz respeito ao veto a políticos serem donos de rádios, jornais ou emissoras de televisão.  É, de fato, para se pensar  e refletir  se apenas o controle remoto – como dito por nossa presidenta – se estabelece como a melhor forma de controle midiático. E os oligopólios de idéias? Não que  eu seja  a favor de controle político para qualquer tipo de censura,  mas a se pensar num controle social mais efetivo. Boa leitura!

Obs: Disponibilizaram essa plataforma para consulta pública ao marco regulatório, ou seja, um espaço para nossas contribuições: http://www.comunicacaodemocratica.org.br/

O futuro da TV: broadcast, broadband ou ambas juntas?

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A TV digital interativa no Brasil, ao menos por enquanto, não vem apresentando soluções atrativas tampouco com possibilidades de uma real interação a sua programação.  Na verdade, nos são trazidas apenas algumas meras opções acessórias que pouco nos mantém interessados.  O “Ginga”, middleware  desenvolvido para possibilitar a interatividade ao nosso sistema digital (ISDB-TB), apesar de real para as aplicações tecnológicas não apresenta suas potencialidades,de fato, ao “mundo real”.  Enquanto isso, a TV conectada, ou melhor, com “broadband” (com banda larga), vem somando-se aos lares brasileiros.  Assim, ficamos com o formato antigo do broadcast (transmisão), sem reais e interessantes aplicações de interatividade – como tão prometido no início da TV Digital – e com a TV que também conecta a internet, na verdade,  apenas servindo como um monitor de 42″. Mas, e se uníssemos as duas ofertas tecnológicas, favorecendo o conteúdo das transmissões? Ou seja, interagir com  a programação da TV através da internet? Por exemplo,  através de uma rede de relacionamento (tipo, twitter)  elaborar um comentário do programa e vê-lo passar na própria tela junto a transmissão. (Apesar de, pessoalmente, achar difícil uma TV aberta veicular todo e qualquer tipo de comentário e se mesmo assim houver uma mediação, talvez,  haja uma descrença do público). De qualquer forma, com essa possível junção de tecnologias, há uma diversidade de outras opções e com atrativos caminhos para o futuro da nossa televisão. Recentemente, li um artigo da IDG Now, a respeito, e acho que vale dividir com vocês (link), talvez, possa nos ajudar ainda mais a tentar entender e a esquadrinhar um interessante futuro para nossa televisão interativa digital.

Do dia 02 ao dia 06 de setembro, houve o Intercom (Congresso brasileiro de Ciências da Comunicação) – motivo da minha parcial “ausência” do blog, lá  apresentei um trabalho no GP de Televisão e vídeo, que em breve dividirei com vocês, pois obtive um ótimo retorno 🙂 – o evento, dentre diversas mesas de discussões em Comunicação, não podia deixar de trazer também a temática da  convergência para a  TV digital e, em certa ocasião, houve um debate (aqui segue o link) que também pode nos ajudar a ilustrar o atual panorama da televisão “interativa” brasileira. Espero, de verdade, que conforme consta como as palavras do professor Ferraz, haja mesmo um “futuro com boas novidades para esse campo”. Boa leitura!

Mais:

Observação: este vídeo é de 2008!

Regulação para as “teles”: serviço de comunicação multimídia

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A Anatel prorrogou o prazo para consulta pública à proposta de regulamentação da qualidade dos serviços de comunicação multimídia. É, agora, as contribuições poderão ocorrer até o dia 16 de setembro, apesar das operadoras de telecom terem pedido um prazo maior, algo em torno de 90 dias. Dentre outras, a proposta pretende fixar a velocidade da internet banda larga em, no mínimo, 60% do que foi contratado (isso porque é normal haver perdas no pacote por protocolos técnicos, disponibilidade  e latência) quando, hoje, só pra se ter uma idéia, é comum garantir apenas 10% da velocidade.  O  percentual proposto é com base nos testes  realizados  pelo Comitê Gestor da Internet com o Inmetro, em pacotes de 1Mbps a 10 Mpbs, que resultaram na conclusão de que a média mínima, atingida, ficava nisso mesmo: em 60% da velocidade. Acontece que as “teles” não se sentiram muito à vontade com essa determinação e contrataram estudos, inclusive fornecidos pela “PriceWaterhouse Coopers”, para avaliar como se dava esse tipo de gestão de qualidade em países como EUA, Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha, Coreia, Austrália, Nova Zelândia, Chile e Índia. E, bem, me parecem ter conseguido o resultado que desejavam para as suas argumentações, pois a conclusão foi de que não há a regulação de qualidade da internet nesses países, através do estabelecimento de metas, mas com base no estímulo a autorregulação, ou seja, em medidas que fomentem as forças do próprio mercado. Os parâmetros terão de ser resolvidos até o dia 31 de outubro, então, fiquemos atentos até lá.

Outro critérios da proposta que também podem lhe  interessar são:

Disponibilidade da internet – meta inicial de 99%, o que corresponde a 7 horas e 12 minutos de interrupção ou degradação do serviço durante um mês.

Medição – o  próprio usuário terá possibilidade de efetuar a medição de indicadores de rede, por meio de software a ser gratuitamente fornecido pela prestadora.

Atendimento (essa, a gente se interessa sim e muito) – O assinante não pode esperar mais do que  20 segundos em 85% dos casos, ao optar pelo atendimento por telefonista ou atendente.  Nunca, o atendimento pode ser feito em tempo superior a 60 segundos ( já é assim regulamentado).

Instalação de serviço – Prazo de até três dias úteis em 95% dos casos, nunca superior a dez dias úteis.

Há mais direcionamentos, então vale você dar uma olhadinha nas duas consultas públicas, afinal, estão lá a disposição das nossas contribuições:

http://sistemas.anatel.gov.br/SACP/Contribuicoes/TextoConsulta.asp?CodProcesso=C1515&Tipo=1&Opcao=andamento

http://sistemas.anatel.gov.br/SACP/Contribuicoes/TextoConsulta.asp?CodProcesso=C1514&Tipo=1&Opcao=andamento