Arquivo da categoria: Televisão

O fã como curador de informações: mídia espontânea

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Hoje, pensei em trazer para reflexão a oportunidade que o fã, enquanto curador de informações, pode trazer a circulação de mídia espontânea. Muito já se discute sobre mediação e mediadores, mas, atualmente, a ação de curadoria, na Comunicação, tem ocupado lugar quanto ao posicionamento de organização e distribuição das informações.

O termo curador, com usos e origens também no Direito e nas Artes,  de forma mais geral, poder ser designado como aquele que tem algo – de terceiros –  em seus cuidados, para sua administração.

Assim, voltando para as estratégias de apropriação dos fãs sobre seus produtos televisivos favoritos, no momento que este nicho organiza e compartilha conteúdos produzidos pela TV, com os demais ,de mesmos interesses, estaria realizando uma ação de curadoria.  Em verdade, fazer parte de uma comunidade, através de um sentimento de camaradagem, é bem específico dos fãs que ao dividirem com o grupo downloads de episódios, frases ditas por personagens e fotos da trama televisiva, por ex., organizam informações e as distribuem agenciando influências dentre os outros membros.

Ou seja, para além de observamos o fã enquanto criador – tal como nas fanfics, fanfilms etc – vale percebê-lo como agente de curadoria, promovendo um grau de administração de produtos midiáticos e contribuindo, assim, para retroalimentar e, inclusive, dar uma maior longevidade a sobrevivência das tramas televisivas.

Fica então, minha  reflexão para o cenário televisivo, pois com o atual volume de informação disposto pelos fluxos da internet, o papel do curador social, sobretudo na figura do fã, vêm à tona de forma a oportunizar uma organização e direcionamento dos conteúdos constituindo uma cadeia de ampla motivação e alcance.  Pois, replicando partes do produto de TV, o fã acaba por gerar uma demanda, embora específica, de propagação de informações e exploração de detalhes que contribuem por semear entre potenciais consumidores um destaque reconhecido às obras, além de envolver-se com os movimentos de distribuição e exibição da mídia.

Nesta semana, vi essa matéria sobre curadoria de conteúdo e achei interessante: http://www.midiassociais.net/2011/11/a-importancia-da-curadoria-de-conteudo/

Até mais!

Consulta pública: governo obriga o Ginga nos aparelhos de TV digital

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A partir do dia 20 de setembro, permanecendo até o dia 05/10, foi disponibilizada para consulta pública, a obrigação do middleware, Ginga, para TV Digital, nos aparelhos de LCD.  A proposta é de que 75% dos televisores obtenham o software para interatividade  até 31 de dezembro de 2012 e, a partir de 1º de janeiro de 2013, todos os equipamentos.  Da mesma forma, os aparelhos com o suporte para conectividade IP (Tv conectadas) foram incluídos na obrigatoriedade.

Acontece que, vale lembrar algumas coisas: a 1ª é a de que o Ginga ainda não possui sequer uma implementação pronta – ou seja, após as especificações técnicas terem sido criadas, não houve uma aplicação destas que venham a servir de referência para execução de todos os fabricantes. Então não se surpreenda se possui uma tv que alega possuir “Ginga” e, talvez, não ser “bem” o software -, da mesma forma, as emissoras ou radiodifusores ainda investem nos custos para a própria TV Digital e a demanda pelo desenvolvimento da interatividade – grande destaque funcional da televisão digital –  não lhes interessa tanto por enquanto.

Bem, o fato é de com essa ação do governo, ainda que “calejados” pelos diversos entraves de interesses políticos e econômicos, podemos voltar a vislumbrar  uma maior produção de conteúdo para as tvs digitais, sentir que  algo que estava “embargado” e ainda apenas como promessa, ou um sonho, ao nosso sistema de  transmissão de tv digital, esteja sendo revisto.  As nossas contribuições podem ser enviadas por email: cgice@mdic.gov.br ou por fax: 6120277097.

Mais sobre:

Governo publica consulta pública obrigando o Ginga na TV digital

Televisores LCD terão que incluir Ginga para manter benefícios fiscais

A “nova” cultura de nichos

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Dispositivos via tecnologia digital com conteúdos mais adequados a uma seleção pessoal – computador, mp3, ipod celular, videogame, tablet, e-reader, etc- aliados a uma maior “democratização” dos meios de produção, vêm potencializando uma demanda que sempre existiu: dos nichos. Ou seja, a procura por oferta de segmentos pouco explorados. Ou, você, apesar de gostar bastante dos “Beatles” nunca se interessou por algum outro cantor, bem menos conhecido, ou quem sabe, teve a preferência por algum produto que não fosse exatamente o que lhe estava sendo apresentado no eixo comercial?

Acontece que,  mesmo por muito tempo, habituados a experenciar uma cultura de massa, ou seja, o consumo  do que estava nas paradas de sucesso ou do que era mais vendido e unicamente ofertado, nunca deixaram de existir as nossas próprias particularidades ou preferências pessoais. Não que você não gostasse dos “Beatles” – para voltar ao exemplo anterior -, mas, talvez, aquele grupo famoso, só no seu bairro, também lhe interessasse. Mas, como encontrar  CD, vinil ou K7  dele há alguns anos?  Apesar da frustração, você se confortava indo a uma loja de disco, comprando um novo “Beatles” e ainda sendo levado a conhecer um novo sucesso.

Hoje, com a   competência da esfera digital e a transposição das fronteiras econômicas, físicas e temporais, foi mais fácil vir à tona nossas preferências e ainda compartilhá-las. A mídia tradicional já atentou para a satisfação dessa diversidade e, nela, começa a traçar estratégias rearrajando seus conteúdos e ofertas – a tv a cabo tem cada vez mais canais, para diversos segmentos, para não falar das opções ‘on demand – a seu pedido. Vejam “O Astro” também, na tv aberta, uma novela que veio atender ao horário das 23h.

A pulverização midiática  em tecnologias e dos conteúdos eclodem, ou seja, é assim que, por ex.,  hoje, pode-se assistir TV praticamente em qualquer lugar, em casa pelo dispositivo de TV, na rua pelo celular ou no trabalho pelo computador. Sem contabilizar sua extensão aos ônibus, táxis, elevador e etc. Neste percurso, as suas narrativas também se ampliam aos sites, blogs, redes de relacionamento, comunidades virtuais, jogos, enquetes, fóruns, revistas, livros, filmes, ringtones e publicidade ampliando os níveis de envolvimento da audiência, com o artifício da interatividade como basilar e condição mercantil.

Ou seja, vemos emergir a teoria da “Cauda Longa” – onde a soma de consumo dos diversos pequenos segmentos – nichos – pode ser tão rentável quanto a soma total dos poucos produtos de sucesso – e com isso, vale atentar: não que a cultura de massa – se tomarmos como “massa” o ponto de vista da produção dos veículos de comunicação  –  esteja no seu fim, mas é certo que uma nova configuração do cenário midiático se faz tão importante quanto esta, a união do “grande” público ao reconhecimento de necessidades individualizadas para geração de ofertas melhor adequadas  aos  fluxos atuais de socialização, consumo e comunicação para, justamente,  na dispersão obter a possibilidade de alcançar um público em maior escala, diferentemente de uma postura “homogeneizante” de outrora. Eis a “nova” cultura de nichos.

PL 116: sancionada lei para tv por assinatura

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Há alguns dias,  trouxe para discussão a PL 116, com um post que contém as principais mudanças que a nova lei traz à televisão por assinatura. Agora, está aí. A lei foi sancionada, hoje, pela nossa presidenta Dilma.  Daqui pra frente, com a definição de cotas de produções brasileiras, talvez possamos experenciar mudanças significativas na oferta de empregos e procura por cursos na área de Comunicação o que, juntamente com a complexificação da produção de conteúdo televisivo, delineada pelos novos fluxos de consumo influenciados pela esfera digital, deve-nos fazer pensar, ainda mais, sobre possíveis readequações operacionais de nossas funções (comunicadores), além de reformulações nas ementas dos cursos.

Mais:

Dilma sanciona lei que define novas regras para tv por assinatura

Entendendo a PL -116 para a televisao

O futuro da TV: broadcast, broadband ou ambas juntas?

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A TV digital interativa no Brasil, ao menos por enquanto, não vem apresentando soluções atrativas tampouco com possibilidades de uma real interação a sua programação.  Na verdade, nos são trazidas apenas algumas meras opções acessórias que pouco nos mantém interessados.  O “Ginga”, middleware  desenvolvido para possibilitar a interatividade ao nosso sistema digital (ISDB-TB), apesar de real para as aplicações tecnológicas não apresenta suas potencialidades,de fato, ao “mundo real”.  Enquanto isso, a TV conectada, ou melhor, com “broadband” (com banda larga), vem somando-se aos lares brasileiros.  Assim, ficamos com o formato antigo do broadcast (transmisão), sem reais e interessantes aplicações de interatividade – como tão prometido no início da TV Digital – e com a TV que também conecta a internet, na verdade,  apenas servindo como um monitor de 42″. Mas, e se uníssemos as duas ofertas tecnológicas, favorecendo o conteúdo das transmissões? Ou seja, interagir com  a programação da TV através da internet? Por exemplo,  através de uma rede de relacionamento (tipo, twitter)  elaborar um comentário do programa e vê-lo passar na própria tela junto a transmissão. (Apesar de, pessoalmente, achar difícil uma TV aberta veicular todo e qualquer tipo de comentário e se mesmo assim houver uma mediação, talvez,  haja uma descrença do público). De qualquer forma, com essa possível junção de tecnologias, há uma diversidade de outras opções e com atrativos caminhos para o futuro da nossa televisão. Recentemente, li um artigo da IDG Now, a respeito, e acho que vale dividir com vocês (link), talvez, possa nos ajudar ainda mais a tentar entender e a esquadrinhar um interessante futuro para nossa televisão interativa digital.

Do dia 02 ao dia 06 de setembro, houve o Intercom (Congresso brasileiro de Ciências da Comunicação) – motivo da minha parcial “ausência” do blog, lá  apresentei um trabalho no GP de Televisão e vídeo, que em breve dividirei com vocês, pois obtive um ótimo retorno 🙂 – o evento, dentre diversas mesas de discussões em Comunicação, não podia deixar de trazer também a temática da  convergência para a  TV digital e, em certa ocasião, houve um debate (aqui segue o link) que também pode nos ajudar a ilustrar o atual panorama da televisão “interativa” brasileira. Espero, de verdade, que conforme consta como as palavras do professor Ferraz, haja mesmo um “futuro com boas novidades para esse campo”. Boa leitura!

Mais:

Observação: este vídeo é de 2008!

O “assistir” TV…

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Foi-se a época em que tudo o que fazíamos diante da TV era estar sentado no sofá da sala assistindo-a. Ali, só contemplando a novela ou o telejornal, pedíamos aos demais para fazerem silêncio e, no máximo, desviávamos a atenção no momento dos comerciais, era hora de comentar algo com a família, pegar uma água, ir ao banheiro. Assistir TV era o momento de não termos de pensar em nada, fazer nada, só dar um descanso para o cérebro já cheios de motivo para estar “cheio”.

Agora, já esquecemos o sofá da sala, o trocamos por elevadores, bancos de táxis, ônibus, cadeira do escritório, de praia, enfim, por uma infinidade de outros “cômodos”. O pai, a mãe, os irmãos também já não estão mais conosco no momento da novela ou do telejornal, mais fácil estar um colega do trabalho, ou a prima do interior, ou o tio que está em outro país, trocando postagens sobre o mesmo personagem. Propaganda, momento de ir ao banheiro? Para quê esperar? Podemos ir a qualquer hora, é só pausar a programação. Depois voltamos e algumas vezes suprimimos e outras tantas acompanhamos o comercial que, aliás, já havia sido visto e comentado numa fanpage. Horário nobre também já não é mais o da TV, mas o nosso. Hoje, nós também montamos a programação. Basta acessar, baixar da internet ou gravar o que desejamos para assistir quando convier. E para gravar, o próprio aparelho de TV nos dá o recurso e se, por acaso, sairmos apressado e esquecermos, ele mesmo se encarrega de fazer a gravação, baseada nas nossas últimas preferências.

Televisão já não é mais “a cores”, com controle remoto ou sem, tampouco aberta ou por assinatura, já contamos com o desenvolvimento e aplicação da “social TV”, Broadband, TV digital, TV 3D e elas nos trazem além das antigas e novas polegadas os recursos da bidirecionalidade digital, da interação social, da multiprogramação, da portabilidade, da mobilidade – muito embora alguns destes, mesmo desenvolvidos ainda não estejam totalmente aplicados no Brasil. Sei que nada disso pode ser uma grande novidade para você, mas trago o argumento para pensarmos de que como são muitos os novos recursos práticos televisivos, também deve haver uma diversidade de conteúdos a ser considerada inerentemente. Ou seja, um grande desafio aos profissionais de Televisão é pensar não tão somente os novos estímulos tecnológicos, mas em não manter repetidas e cansadas fórmulas, modelos que já não se adequam mais aos rearranjos sociais, propor mais que acessórios a programação promovendo a interação com os atuais hábitos de consumo midiáticos e considerar que para além de estruturar a informação e o entretenimento a partir de uma imersão prática, se faz necessário gerenciá-los conforme as tendências, não menos importantes, de imersão intelectual. Na dinâmica cultural atual, (felizmente ou infelizmente) o sentido do descanso, ao estar diante da TV, já não está mais na competência de silenciar o cérebro ainda mais “cheio”, mas em escoar o “excedente” interagindo com os próprios interesses.