Arquivo da categoria: convergência

Transmídias: lógica de conteúdos e propagação

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No cenário atual de múltiplas “telas”, maior autonomia e ação efetiva do público, como desenvolver conteúdos midiáticos e assegurar a propagação destes, provocando o interesse na dispersão? Podemos pensar na transmidiação. No Brasil, ainda é algo que está em desenvolvimento, como um terreno muito amplo a  ser explorado, mas já desde os anos 90 (pelo menos) –  com os estudos de Marsha Kinder – que se fala em tal, nos EUA.

Hoje, não é difícil depararmos como o termo Transmedia Storytelling” ou Narrativa Transmídia para designar novas estratégias de desenvolvimento de conteúdos baseada na exploração complementar de diversas mídias e envolvimento com o consumidor, espectador, prosumidor, público, fãs ou como queiram chamar.

Podemos dizer que para elaboração de uma estratégia transmidiática – seja em publicidade ou para quaisquer veículos de comunicação – há alguns princípios fundamentais, que são: os níveis de interação proporcionados com a recepção, a  forma lúdica de tratamento do teor narrativo do projeto e a sua pervasividade – termo originado da Informática que designa a presença de “chips” nos mais diversos ambientes da sociedade, mas que, hoje, a Comunicação também se apropria quanto a pulverização de conteúdos nas mais diversas mídias.

Ou seja, podemos pensar em dois viéses: a distribuição e o desenvolvimento de conteúdos, considerando a lógica da criação de uma experiência diferenciada ao usuário/público para favorecer o amadurecimento de uma relação afetiva com o produto. É a idéia de pensar um ritual para os meios de comunicação que vai além da produção, mas que envolve uma economia afetiva, através das possibilidades de uso. Veja aqui o exemplo de um brinquedo transmídia.

Pensando em Tv, a lógica é a do consumo de conteúdos televisivos e não mais apenas dos programas televisivos, ou seja, o espectador pode vir a experimentar um seriado ficcional ou telenovela não só no próprio dispositivo, mas a extensão de toda a história a partir do que é produzido no blog de um personagem, num game com mais detalhes de um determinado episódio, numa revista em quadrinhos que rabisca detalhes que não vão ao ar na tv pela própria dinâmica do tempo e edição, no site oficial com depoimentos dos personagens que enriquecem a trama da Tv e etc.

Então, vale observar que com essa descentralização da narrativa principal:  o conteúdo vai até aonde o espectador ou consumidor está – e não ao contrário – e ainda proporcionando um nível de participação destes que, no mais das vezes, gera um compromisso emocional, trazendo mídia espontânea sobre o teor do projeto.Veja aqui uma reflexão em cima do envolvimento do público com o seriado Lost e um exemplo de mídia espontânea criada por fãs.

O método transmidiático (veja aqui algumas definições) traz diversas histórias -e não interpretações – que apresentam um engajamento e complexificação de um conteúdo principal, numa relação de complementação.  Alguns exemplos de projetos transmidiáticos mais conhecidos: Heroes, Lost, Dawson’ Creek, Matrix, Bruxa de Blair, campanhas da Disney e Coca Cola.

Voltando a questão inicial do post, é na própria dispersão que poderemos encontrar uma maior proporção de envolvimento com o projeto de mídia, numa cadeia de conteúdos enquanto “marca”, como num processo transmidiático. Assim, vale oportunizar o alcance em larga escala, não mais através de uma cultura de massa, mas com o ideal de proporcionar experiências,vivências diversificadas para seu público.

Quer saber mais? Vale conhecer o livro  “Cultura da Convergência” de Jenkins que vem tratando desse novo cenário de desenvolvimento de conteúdos para a mídia.

Vídeo sobre transmídia:

Dê uma olhada também nessa seção de slides que pertencem a um grupo de pesquisa da ESPM:

http://www.slideshare.net/rdarnaut1/transmdia-inovadoresespm-parte-2-eratransmidia

http://www.slideshare.net/rdarnaut1/transmdia-na-tv

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Consulta pública: governo obriga o Ginga nos aparelhos de TV digital

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A partir do dia 20 de setembro, permanecendo até o dia 05/10, foi disponibilizada para consulta pública, a obrigação do middleware, Ginga, para TV Digital, nos aparelhos de LCD.  A proposta é de que 75% dos televisores obtenham o software para interatividade  até 31 de dezembro de 2012 e, a partir de 1º de janeiro de 2013, todos os equipamentos.  Da mesma forma, os aparelhos com o suporte para conectividade IP (Tv conectadas) foram incluídos na obrigatoriedade.

Acontece que, vale lembrar algumas coisas: a 1ª é a de que o Ginga ainda não possui sequer uma implementação pronta – ou seja, após as especificações técnicas terem sido criadas, não houve uma aplicação destas que venham a servir de referência para execução de todos os fabricantes. Então não se surpreenda se possui uma tv que alega possuir “Ginga” e, talvez, não ser “bem” o software -, da mesma forma, as emissoras ou radiodifusores ainda investem nos custos para a própria TV Digital e a demanda pelo desenvolvimento da interatividade – grande destaque funcional da televisão digital –  não lhes interessa tanto por enquanto.

Bem, o fato é de com essa ação do governo, ainda que “calejados” pelos diversos entraves de interesses políticos e econômicos, podemos voltar a vislumbrar  uma maior produção de conteúdo para as tvs digitais, sentir que  algo que estava “embargado” e ainda apenas como promessa, ou um sonho, ao nosso sistema de  transmissão de tv digital, esteja sendo revisto.  As nossas contribuições podem ser enviadas por email: cgice@mdic.gov.br ou por fax: 6120277097.

Mais sobre:

Governo publica consulta pública obrigando o Ginga na TV digital

Televisores LCD terão que incluir Ginga para manter benefícios fiscais

A “nova” cultura de nichos

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Dispositivos via tecnologia digital com conteúdos mais adequados a uma seleção pessoal – computador, mp3, ipod celular, videogame, tablet, e-reader, etc- aliados a uma maior “democratização” dos meios de produção, vêm potencializando uma demanda que sempre existiu: dos nichos. Ou seja, a procura por oferta de segmentos pouco explorados. Ou, você, apesar de gostar bastante dos “Beatles” nunca se interessou por algum outro cantor, bem menos conhecido, ou quem sabe, teve a preferência por algum produto que não fosse exatamente o que lhe estava sendo apresentado no eixo comercial?

Acontece que,  mesmo por muito tempo, habituados a experenciar uma cultura de massa, ou seja, o consumo  do que estava nas paradas de sucesso ou do que era mais vendido e unicamente ofertado, nunca deixaram de existir as nossas próprias particularidades ou preferências pessoais. Não que você não gostasse dos “Beatles” – para voltar ao exemplo anterior -, mas, talvez, aquele grupo famoso, só no seu bairro, também lhe interessasse. Mas, como encontrar  CD, vinil ou K7  dele há alguns anos?  Apesar da frustração, você se confortava indo a uma loja de disco, comprando um novo “Beatles” e ainda sendo levado a conhecer um novo sucesso.

Hoje, com a   competência da esfera digital e a transposição das fronteiras econômicas, físicas e temporais, foi mais fácil vir à tona nossas preferências e ainda compartilhá-las. A mídia tradicional já atentou para a satisfação dessa diversidade e, nela, começa a traçar estratégias rearrajando seus conteúdos e ofertas – a tv a cabo tem cada vez mais canais, para diversos segmentos, para não falar das opções ‘on demand – a seu pedido. Vejam “O Astro” também, na tv aberta, uma novela que veio atender ao horário das 23h.

A pulverização midiática  em tecnologias e dos conteúdos eclodem, ou seja, é assim que, por ex.,  hoje, pode-se assistir TV praticamente em qualquer lugar, em casa pelo dispositivo de TV, na rua pelo celular ou no trabalho pelo computador. Sem contabilizar sua extensão aos ônibus, táxis, elevador e etc. Neste percurso, as suas narrativas também se ampliam aos sites, blogs, redes de relacionamento, comunidades virtuais, jogos, enquetes, fóruns, revistas, livros, filmes, ringtones e publicidade ampliando os níveis de envolvimento da audiência, com o artifício da interatividade como basilar e condição mercantil.

Ou seja, vemos emergir a teoria da “Cauda Longa” – onde a soma de consumo dos diversos pequenos segmentos – nichos – pode ser tão rentável quanto a soma total dos poucos produtos de sucesso – e com isso, vale atentar: não que a cultura de massa – se tomarmos como “massa” o ponto de vista da produção dos veículos de comunicação  –  esteja no seu fim, mas é certo que uma nova configuração do cenário midiático se faz tão importante quanto esta, a união do “grande” público ao reconhecimento de necessidades individualizadas para geração de ofertas melhor adequadas  aos  fluxos atuais de socialização, consumo e comunicação para, justamente,  na dispersão obter a possibilidade de alcançar um público em maior escala, diferentemente de uma postura “homogeneizante” de outrora. Eis a “nova” cultura de nichos.

O futuro da TV: broadcast, broadband ou ambas juntas?

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A TV digital interativa no Brasil, ao menos por enquanto, não vem apresentando soluções atrativas tampouco com possibilidades de uma real interação a sua programação.  Na verdade, nos são trazidas apenas algumas meras opções acessórias que pouco nos mantém interessados.  O “Ginga”, middleware  desenvolvido para possibilitar a interatividade ao nosso sistema digital (ISDB-TB), apesar de real para as aplicações tecnológicas não apresenta suas potencialidades,de fato, ao “mundo real”.  Enquanto isso, a TV conectada, ou melhor, com “broadband” (com banda larga), vem somando-se aos lares brasileiros.  Assim, ficamos com o formato antigo do broadcast (transmisão), sem reais e interessantes aplicações de interatividade – como tão prometido no início da TV Digital – e com a TV que também conecta a internet, na verdade,  apenas servindo como um monitor de 42″. Mas, e se uníssemos as duas ofertas tecnológicas, favorecendo o conteúdo das transmissões? Ou seja, interagir com  a programação da TV através da internet? Por exemplo,  através de uma rede de relacionamento (tipo, twitter)  elaborar um comentário do programa e vê-lo passar na própria tela junto a transmissão. (Apesar de, pessoalmente, achar difícil uma TV aberta veicular todo e qualquer tipo de comentário e se mesmo assim houver uma mediação, talvez,  haja uma descrença do público). De qualquer forma, com essa possível junção de tecnologias, há uma diversidade de outras opções e com atrativos caminhos para o futuro da nossa televisão. Recentemente, li um artigo da IDG Now, a respeito, e acho que vale dividir com vocês (link), talvez, possa nos ajudar ainda mais a tentar entender e a esquadrinhar um interessante futuro para nossa televisão interativa digital.

Do dia 02 ao dia 06 de setembro, houve o Intercom (Congresso brasileiro de Ciências da Comunicação) – motivo da minha parcial “ausência” do blog, lá  apresentei um trabalho no GP de Televisão e vídeo, que em breve dividirei com vocês, pois obtive um ótimo retorno 🙂 – o evento, dentre diversas mesas de discussões em Comunicação, não podia deixar de trazer também a temática da  convergência para a  TV digital e, em certa ocasião, houve um debate (aqui segue o link) que também pode nos ajudar a ilustrar o atual panorama da televisão “interativa” brasileira. Espero, de verdade, que conforme consta como as palavras do professor Ferraz, haja mesmo um “futuro com boas novidades para esse campo”. Boa leitura!

Mais:

Observação: este vídeo é de 2008!